Alzek Trothnis. A peregrinação. A jornada dos 15 anos. A primeira aventura. O exílio. Muitos nomes para a grande viagem que todo jovem do clã Lraniek-Umaha ao completar os 15 anos de idade é obrigado a fazer, onde eles têm que se afastar por pelo menos um ano. Não é apenas uma obrigação de boca, como se não houvesse consequências para aqueles que se recusam ou que falham na miss±ao. É uma obrigação com consequências materiais, que define o destino dos membros do clã. Os pouquíssimos que se recusam a fazer são banidos do clã, expulsos por toda a vida, e a família sofre escárnio e humilhação pública. Se voltam antes do tempo, são colocados isolados do restante do clã, impedido de ver seus familiares, por pelo menos mais um ano, a depender do quão cedo desistiram. Daqueles que passam mais de um ano na jornada, aproximadamente metade nunca mais volta. Os mais sortudos não voltam porque encontra raízes em novos lugares, em assentamentos tão distantes quanto do outro lado do planeta, se casam, formam famílias, adquirem a cultura local e se tornam membros tão envolventes e vibrantes na sociedade que escolheram, ganhando todo o direito de chamá-la de casa. Os mais azarados têm seus corpos às vezes encontrados decompostos pelos próximos aventureiros, que quando conseguem identificá-los avisam a família ao retornarem. Se não forem tão azarados assim, ao lado de seus restos se encontram cartas escritas em seus últimos momentos, com a causa da morte e suas últimas despedidas. Por causa da periculosidade desta jornada, é menos tratada como uma viagem aventureiras e mais como um sacrifício. Um exílio imposto pelas regras sociais do clã Lraniek-Umaha.
Zafir estava pronto. Os primeiros raios de sol desenhavam na parede de barro o formato quadrado da janela. Ele atentamente observou em uma mistura de nostalgia e aflição o quarto que compartilhava com seus quatro irmãos, Hyanek, de 14 anos, Rivana, de 12 anos, Almagair, de 10 anos e o pequeno Zol-ha, de 5 anos. As três beliches já se situavam vazias com os lençóis desarrumados. Uma escrivaninha com uma cadeira se apoiavam em uma das paredes, e junta a porta do quarto um pequeno armário com um espelho. Zafir se olhou no reflexo, se indagando como estava de pé aquela hora tão cedo. A insônia tinha naturalmente o acometido durante a noite. Dificilmente alguém a ponto de fazer uma viagem de vida ou morte conseguiria se manter calmo na noite que antecede a partida. Imediatamente lembrou da manhã que seu irmão, Olmar, partiu para a Alzek Trothnis, 5 anos atrás. O irmão que nunca mais voltou. Seu paradeiro até então era desconhecido.
Quando saiu à sala, sua família já o esperava. Os irmãos, a mãe Luzener, o pai Haim e o líder do clã Umaha Kolniek. Sua mãe ainda tentou esconder as lágrimas que manchavam seu rosto, mas era inútil.